
Direto da redação
O Ministério da Educação (MEC) divulgou nesta quarta-feira (20) os resultados da primeira edição da Prova Nacional Docente (PND), avaliação que testou o conhecimento de professores em exercício e recém-formados em todo o país. Os dados mostram que 35% dos participantes não atingiram o nível mínimo exigido.
Ao todo, 760.118 professores fizeram a prova, distribuídos em 1.508 municípios, 18 capitais e 22 redes estaduais. Desse total, 266.322 docentes ficaram abaixo de 50 pontos numa escala de 100 — limite estabelecido pelo governo para indicar proficiência básica.
Matemática lidera ranking de reprovações
A área com desempenho mais crítico foi Matemática: mais da metade dos professores avaliados, 54,1%, não alcançou o patamar mínimo. Artes aparece na sequência, com 50,1% de docentes abaixo do nível básico, seguida por Letras (39,3%) e Pedagogia (37,2%).
No outro extremo, Ciências Humanas e Ciências registraram os melhores resultados, com apenas 19,8% e 21,6% de professores não proficientes, respectivamente.
Entre os aprovados — 493.796 no total —, o Inep classificou os docentes em dois perfis. O Padrão 1 reúne profissionais com capacidade mínima para planejar e avaliar, mas que ainda dependem de orientação externa. Já o Padrão 2 corresponde a professores com competências consolidadas, aptos a aplicar metodologias e propor estratégias pedagógicas de forma autônoma. Apenas 183.983 professores, cerca de 37% dos proficientes, chegaram ao Padrão 2.
MEC vê resultado como base para políticas de formação
O ministro da Educação, Leonardo Barchini, afirmou que os dados serão utilizados para orientar programas de formação continuada nas redes municipais e estaduais. Segundo ele, o volume de professores aprovados é suficiente para atender à demanda anual estimada de 118 mil novos docentes no país.
A PND não é obrigatória para o ingresso na carreira, mas pode ser adotada pelas redes de ensino como critério de seleção.
Cursos a distância puxam índices para baixo
O MEC também publicou o Conceito Enade dos cursos de licenciatura. Dos 4.547 cursos avaliados, 38% receberam notas 1 ou 2 — as mais baixas da escala de 1 a 5. A discrepância entre modalidades é significativa: 60,5% dos cursos de educação a distância (EAD) ficaram nas faixas inferiores, contra 30,7% dos presenciais.
O desempenho dos alunos acompanha essa diferença. Entre concluintes de cursos EAD, 53,1% não atingiram o nível de proficiência, enquanto nos cursos presenciais esse percentual cai para 26,1%.
Instituições privadas com e sem fins lucrativos concentraram os piores desempenhos por tipo de instituição: 54,7% e 53,2% de estudantes não proficientes, respectivamente.
Em maio do ano passado, o MEC proibiu novas matrículas em licenciaturas totalmente a distância, exigindo modelo semipresencial com pelo menos 50% de carga horária presencial. O Conselho Nacional de Educação (CNE) deve definir até 23 de junho as regras sobre a composição dessa carga horária.
Cursos presenciais com conceitos 1 e 2 não terão renovação automática de autorização e precisarão demonstrar melhorias para continuar funcionando, segundo a secretária de Regulação e Supervisão da Educação Superior, Marta Abramo.