A recente aprovação, pela Câmara Municipal de Guarabira, do projeto que extingue 477 cargos e veda a realização de concurso público para essas funções representa muito mais do que uma mudança na estrutura administrativa da Prefeitura Municipal. É, infelizmente, um retrocesso e um duro golpe, sobretudo, contra aqueles que acreditam no serviço público como caminho de estabilidade, dignidade e construção coletiva.
Por 9 votos a 5, o projeto de lei 15/2025 foi aprovado ignorando a voz da população, diretamente afetada por essa proposta. São 14 cargos efetivos extintos — funções que, em sua maioria, atendem a áreas essenciais do cotidiano. A justificativa para tal medida? Terceirizar. Privatizar. Trocar o servidor concursado, comprometido com o bem público, por vínculos temporários e muitas vezes suscetíveis a interesses políticos.
É o início de um desmonte escancarado. E o mais grave: institucionalizado. A aprovação desse PL pelos vereadores subservientes à gestão também poderá gerar prejuízos previdenciários que afetarão as aposentadorias dos atuais servidores. O alerta foi dado e ignorado.
Quando se elimina a possibilidade de concursos, não se está, apenas, retirando vagas de um edital – está comprometendo o sonho de quem estuda há anos, se dedica com afinco e vê no concurso público uma forma justa de ascensão social. Na gestão cujo slogan é “o trabalho transforma”, o mérito não vale mais e todo o esforço de quem estuda está sendo trocado por contratos e conveniências políticas.
Como guarabirense e quase um concurseiro, lamento, profundamente, a aprovação deste projeto, que, em vez de fortalecer o serviço público, aposta e escolhe usar as possibilidades geradas pela terceirização. Guarabira perde mais uma vez. Perdem os estudantes. Perde o cidadão que dependerá de um sistema menos estável, menos transparente e, possivelmente, menos comprometido com o interesse público.
Votaram a favor do PL enviado pelo Executivo municipal e contra o povo: os vereadores Alcides Camilo (PL) , Armando Melo (MDB), Gerson do Gesso (PL), Luize Lamarte (PL), Jussara Maria (União), Novinho do Cordeiro (União), Saulo de Biu (MDB), Isaura Barbosa (União) e Vando do Mutirão (MDB).
Resistiram e votaram contra o PL e a favor do povo: Célio Alves (PSB), Neide de Teotônio (PSB), Nal do São José (Republicanos), Ramon Menezes (PSB) e Renato Meireles (PSB).
O futuro da cidade não pode ser entregue à lógica da conveniência política, como estão tentando fazer. O que está em jogo não são, apenas, números ou cargos, mas o princípio de que o serviço público deve ser construído por quem tem preparo, mérito e compromisso em servir. #Opinião
