
O PSDB vive, na Paraíba, seus dias mais melancólicos. O partido que um dia teve protagonismo no cenário nacional e regional agora assiste a um processo de esvaziamento acelerado e inevitável. A fala do deputado estadual Tovar Correia Lima, ao anunciar sua saída da legenda, expõe o que muitos já sabiam, mas poucos tinham coragem de dizer em voz alta: o PSDB paraibano está em ruínas. E o movimento é mais um “salve-se quem puder” do que uma tentativa de reorganização.
“Vai acabar, já está se acabando”, admitiu Tovar, com a franqueza de quem vê o navio afundando e decidiu não esperar o toque final da orquestra. Segundo ele, outros parlamentares também estão de malas prontas para deixar o partido, antevendo o colapso que pode ser selado pela cláusula de barreira — mecanismo que limita a atuação de partidos que não atingem desempenho mínimo nas eleições para o Congresso.
A imagem é clara: um partido que perdeu o rumo, o discurso, a identidade — e, agora, os quadros. O PSDB, que na Paraíba já teve voz ativa, representação robusta e espaço em prefeituras e no parlamento, se transforma em sigla de passado. O presente é de debandada, e o futuro, incerto.
A cláusula de barreira, criada para enxugar o número de legendas no Congresso e fortalecer a governabilidade, está fazendo seu efeito: elimina os partidos que não conseguem se manter minimamente representativos. No caso do PSDB, a queda não é apenas estatística, é simbólica. Um partido que um dia liderou o país, agora corre o risco de não passar da porta da Câmara.
Na Paraíba, não faltam sinais do colapso. A ausência de nomes com densidade eleitoral, a perda de lideranças históricas e a falta de renovação deixaram o partido à deriva. Os poucos que restam, como Tovar, reconhecem que a legenda já não oferece abrigo nem perspectiva.
A debandada tucana é o retrato de um ciclo que se encerra. O PSDB não morreu de um golpe, mas de inanição, silenciado por anos de omissão, brigas internas e incapacidade de se reinventar.
Se ainda restava alguma luz acesa na sede do partido, alguém já deve estar procurando o interruptor. E como manda a tradição, o último que sair — por favor — apague a luz. #Opinião
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