Campanha de Lula pressiona TV Globo por checagem de fatos em tempo real no debate de sexta-feira

Presidente Lula (PT) no debate da Globo em 2022
Divulgação / Ricardo Stuckert

A equipe do presidente e candidato à reeleição Lula (PT) está em negociações com a TV Globo para a implementação de um sistema de checagem de fatos em tempo real durante o debate presidencial programado para esta sexta-feira (23).

A iniciativa foi detalhada pelo ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, durante agenda no quartel-general da campanha petista, em Brasília. De acordo com o ministro, a emissora demonstrou disposição para avaliar a inclusão da ferramenta ao longo da transmissão ao vivo.

A demanda surge como uma resposta direta às declarações e posturas do adversário na disputa, o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro. Segundo a coordenação da campanha governista, o recurso é indispensável para contestar alegações inverídicas apresentadas ao vivo.

“A gente está querendo que haja (checagem de fatos), porque a gente viu o que aconteceu no debate. Além de responder nenhuma pergunta do presidente, ele mentiu muito. É importante uma checagem em tempo real do que é verdade, do que é mentira, do que é dito no debate”, afirmou Sidônio Palmeira em conversa com a imprensa.

Paralelamente às tratativas com a TV Globo, a campanha de Lula tem articulado parcerias com agências “independentes” de fact-checking e com o portal ICL para a prestação desse serviço de verificação simultânea durante o confronto decisivo.

Apesar do foco nos embates e na contestação de dados, o coordenador da campanha reforçou que a diretriz principal para Lula no debate é a apresentação de propostas de governo e o detalhamento da visão do partido para o futuro do país.

Outro ponto de forte contestação por parte dos articuladores petistas diz respeito ao posicionamento e às atitudes dos candidatos no palco do programa. Sidônio declarou expressamente que a equipe de Lula não aceitará que Flávio Bolsonaro recorra à tática de se posicionar atrás das câmeras enquanto o presidente estiver com a palavra para fazer gestos direcionados ao público.

O ministro comparou o comportamento ao adotado por Donald Trump no debate contra a candidata democrata Hillary Clinton nas eleições americanas de 2016. “A gente não vai aceitar isso. Na verdade, isso é feito sempre pela extrema-direita […] é uma forma agressiva, indevida, provocativa”, criticou.

Para alguns analistas, o candidato Lula quer decidir o formato e as regras do debate.

Blog do Ikeda/ com Estadão Conteúdo

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