PT critica “uso eleitoral da fé”, mas histórico de Lula contradiz discurso, aponta Veja

Direto da redação

O Partido dos Trabalhadores divulgou, nesta segunda-feira, uma carta direcionada ao eleitorado evangélico, buscando recuperar votos de um segmento religioso cada vez mais distante do petismo. No documento, o partido defende que seu apoio a Lula “não nasce do uso eleitoral da fé”, citando o próprio presidente, que afirmou não se dever “tirar proveito político de uma coisa sagrada”. A contradição, porém, está no passado — e é o que aponta a coluna Radar, assinada por Robson Bonin, na revista Veja.

Segundo a publicação, o Lula que se aproxima do fim do terceiro mandato é bem diferente daquele que disputou a reeleição em 2006. Na época, o presidente não via problemas em discursar dentro de igrejas. Em 8 de setembro daquele ano, participou de um grande culto na Assembleia de Deus, no Rio de Janeiro, onde recebeu o apoio de cerca de 3 mil pastores e bispos. “Somos todos crentes e amamos este país”, declarou ao final.

Em 2010, quando lançou Dilma Rousseff ao Planalto com popularidade nas alturas, o petismo voltou a fazer campanha dentro de igrejas evangélicas. Na Convenção Nacional das Assembleias de Deus, o pastor Manoel Ferreira, do Ministério de Madureira, defendeu abertamente o voto em Dilma e questionou os fiéis: “O que podemos fazer por esse homem?”, respondendo ele mesmo: “Fazer a sua sucessora.”

A Veja avalia que os escândalos de corrupção foram afastando o eleitorado evangélico do PT, entregando esse segmento ao movimento conservador que elegeu Jair Bolsonaro — e que agora se organiza em torno da campanha de Flávio Bolsonaro. Diante da dificuldade de reconquistar esse eleitorado, o partido teria optado por condenar a chamada “política dos templos”.

Para a revista, impedir a exploração da fé por políticos é uma causa legítima — mas o histórico de Lula e do PT torna o discurso difícil de sustentar.

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