A ausência de um candidato ao cargo mais alto da República em um debate em rede nacional não é, apenas, uma escolha estratégica de campanha; é um sinal preocupante do esvaziamento do escrutínio público. Ao optar por não comparecer ao tradicional debate da TV Globo e, simultaneamente, buscar refúgio em uma transmissão alternativa no Flow Podcast no mesmo horário, o presidente Lula optou pelo monólogo confortável em detrimento do confronto direto de ideias perante a população.
O cenário torna-se ainda mais grave quando a arena do debate público passa a ser moldada por decisões judiciais que suprimem os símbolos históricos do jornalismo político. A decisão do Tribunal Superior Eleitoral de proibir a TV Globo de exibir a cadeira vazia com o nome do candidato ausente, além de vetar perguntas direcionadas a ele, rompe com um fato e a tradição consolidada nos debates eleitorais brasileiros, sobretudo quando tudo havia sido acordado com os candidatos.
Ao acionar a Justiça para impedir a simples exibição dessa ausência, estabelece-se um precedente perigoso. O papel do jornalismo e das emissoras sempre foi expor os fatos como eles são — e o fato é que o candidato optou por não estar lá. O impedimento dessa sinalização oculta a decisão do político e priva o cidadão do direito de ver refletido, na tela, a falta de disposição e coragem para o embate democrático.
Trocar a sabatina crítica, onde perguntas incômodas e imprevistas fazem parte da regra do jogo, por um ambiente controlado em uma live na internet é uma tática que visa blindar a imagem do governante. Quando as regras do debate são restringidas pela via jurídica para poupar a figura de um candidato, a própria democracia sai enfraquecida.
Um debate sem questionamentos livres e sem a devida exposição dos ausentes perde sua força vital, deixando o eleitor sem a transparência que merece em um momento tão decisivo.
Com a ausência do Lula, o candidato Flávio Bolsonaro também desistiu de ir ao debate. Quem perde com a ausência dos dois é o Brasil.
Blog do Ikeda