Um relatório de inteligência da Polícia Federal (PF) apontou não haver indícios de que o blogueiro maranhense Luís Pablo tenha cometido o crime de violação de sigilo funcional ao publicar matérias sobre o uso de um veículo oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão por familiares do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino. O documento também sinaliza que não é possível “apontar com máxima certeza” que o jornalista tenha recebido valores financeiros para produzir reportagens específicas contra o magistrado. As informações foram reveladas pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo.
Apesar das conclusões do relatório policial, o ministro do STF Alexandre de Moraes determinou medidas cautelares e ordens de busca e apreensão contra o profissional de imprensa e sua fonte. Ao acatar manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR), Moraes sustentou haver indícios relevantes de que a conduta do blogueiro configuraria crime de perseguição contra Dino, além de citar supostos riscos à integridade física do integrante da Suprema Corte devido ao envio de informações e a um eventual suporte material e financeiro.
A apuração teve início a pedido do próprio Flávio Dino, que governou o estado do Maranhão entre 2015 e 2022. O caso foi redistribuído ao ministro Alexandre de Moraes pelo presidente do STF, Edson Fachin, por ser considerado análogo aos inquéritos das fake news e das milícias digitais.
Durante a primeira etapa da operação, realizada em março deste ano, agentes da PF apreenderam computadores, telefones celulares e dispositivos de memória do jornalista. O rastreamento dos dados permitiu à investigação identificar que a fonte das informações era o ex-secretário estadual Raimundo Cutrim.
Segundo a análise dos investigadores citada por Malu Gaspar, embora o jornalista adotasse uma postura crítica ao ministro e trocasse mensagens frequentes com a fonte via aplicativo de mensageria, sua conduta estava amparada pelo direito ao sigilo de fonte e pela liberdade de imprensa. Por outro lado, o delegado responsável pelo caso observou que a conduta do agente público que repassa informações restritas pode, em tese, enquadrar-se no crime de violação de sigilo funcional (Art. 325 do Código Penal).
A devassa nos arquivos do blogueiro revelou conversas com o advogado Diogo Lima, ex-secretário municipal de Habitação de São Luís, que opinava sobre o teor das publicações e realizou a transferência de R$ 100 mil para a compra de um imóvel rural adquirido por Luís Pablo. A propriedade teve a quitação composta por pagamentos de diferentes origens.
O relatório também mencionou a emissão de notas fiscais do blog direcionadas à Assembleia Legislativa do Maranhão, com repasses mensais entre R$ 12 mil e R$ 17,5 mil. Questionado sobre os valores, o jornalista declarou à equipe de O Globo que os montantes dizem respeito a contratos de publicidade institucional intermediados por agências de marketing, prática comum a diversos veículos de comunicação regionais.
.@malugaspar: Relatório da PF diz que blogueiro do Maranhão não cometeu crime apontado por Alexandre de Moraes.
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— GloboNews (@GloboNews) August 19, 2026
Blog do Ikeda/ com a colunista Malu Gaspar, de O Globo