
Uma declaração do presidente Lula (PT) sobre advogados criminalistas repercutiu nesta sexta-feira (31) e provocou reação da Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP). Em participação no podcast Inteligência Ltda, apresentado por Rogério Vilela, Lula relembrou os processos que enfrentou no passado e justificou por que optou por não contratar um especialista em direito penal para sua defesa, preferindo manter o então advogado cível Cristiano Zanin à frente do caso.
Segundo o presidente, ele sofreu pressão de interlocutores que apontavam risco de condenação justamente pela ausência de um criminalista na equipe. Mesmo assim, disse ter mantido a decisão por discordar do papel atribuído a esses profissionais.
“Criminalista não sabe defender inocente. Criminalista defende bandido”, afirmou.
Lula atribuiu o desfecho favorável dos processos à permanência de Zanin e da equipe original, descrevendo a decisão como fruto de vontade pessoal. “E foi assim que eu venci. Com muita teimosia, cara”, disse.
REPÚDIO DA OAB-SP
A fala repercutiu rapidamente nos meios jurídico e político. Em nota divulgada nesta sexta-feira, a OAB-SP saiu em defesa da categoria e classificou a declaração como prejudicial ao entendimento público sobre a função da advocacia criminal.
Segundo a seccional paulista, o advogado criminalista “não defende o crime; defende a Constituição, o devido processo legal, a ampla defesa e o contraditório, garantias fundamentais asseguradas a todos os cidadãos”. A entidade afirmou ainda que, “ao reforçar esse estigma, a declaração contribui para a desinformação da sociedade e enfraquece o Estado Democrático de Direito”.
Até o fechamento desta matéria, a Presidência da República não havia se manifestado sobre a repercussão da fala.
Blog do Ikeda/ com Juri News Br