Ao declarar que não participará dos debates eleitorais e classificar o confronto de ideias como um espaço para ouvir “bobagem”, o presidente Lula adota uma postura que desrespeita o eleitor e empobrece a democracia. A justificativa de não dar “colher de chá para quem não merece” mascara uma estratégia de conveniência política: a recusa em prestar contas, responder a críticas e ter o próprio governo confrontado em tempo real. O debate público não é um favor concedido aos adversários, mas um dever institucional com a sociedade, que tem o direito de comparar propostas, temperamentos e visões de mundo em um ambiente de igualdade.
Ao desqualificar o nível dos encontros para se esquivar do confronto, a liderança do executivo estabelece um precedente perigoso para a cultura política do país. Quando a figura de maior autoridade da República decide que está acima do escrutínio direto, autoriza implicitamente que outros candidatos — presentes e futuros — sigam o mesmo caminho de omissão. O resultado é o esvaziamento dos fóruns de discussão legítimos e a migração do debate para ambientes controlados, como sabatinas amigáveis e propaganda eleitoral regada a marketing, onde não há espaço para o contraditório real nem para a contestação imediata.
No rádio, na televisão e na imprensa, o debate sempre cumpriu o papel vital de expor os postulantes ao poder sem o filtro dos assessores. Apequenar esses momentos sob o pretexto de evitar ataques de adversários demonstra uma visão elitista e defensiva do processo eleitoral. Se a qualidade do debate político degradou-se, cabe aos líderes de maior envergadura elevar o nível da discussão com argumentos e propostas, em vez de abandonar a arena. A recusa em debater sinaliza ao cidadão que o poder estabelecido se considera autossuficiente demais para ser questionado — uma atitude que enfraquece a transparência e apequena a esfera pública.
Tomara que o Lula repense e mude de ideia…