CNBB divulga mensagem ao povo brasileiro com foco nas eleições

Direto da redação

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou, nesta quinta-feira (18), uma mensagem dirigida ao povo brasileiro por ocasião das eleições de 2026. Assinado pelo Conselho Permanente da entidade e datado de Brasília, o documento reafirma o papel da Igreja Católica no debate democrático sem, contudo, indicar candidatos ou partidos.

Logo no início do texto, os bispos deixam claro o posicionamento institucional: a Igreja Católica não endossa candidaturas. “A Igreja Católica não indica candidatos nem partidos. Movida pelo Evangelho e pela missão de anunciá-Lo, promove a vida, a dignidade humana e serve à construção do bem comum”, afirma o documento.

A mensagem ancora essa postura na Doutrina Social da Igreja, que entende a política — quando orientada pela ética — como “uma das mais elevadas formas de caridade”.

Os bispos descrevem as eleições como “oportunidades privilegiadas para o exercício da cidadania e da corresponsabilidade social”, convocando os eleitores a ir além da escolha de governantes e renovar o compromisso com a democracia, a justiça social e a fraternidade.

A abstenção é explicitamente desestimulada. “A abstenção não é a melhor escolha”, diz o texto, que ainda orienta o eleitor a olhar não apenas para as promessas de campanha, mas principalmente para “a história de vida dos candidatos e as consequências dos compromissos assumidos”.

Em tom firme, a mensagem lista os males que, segundo os bispos, não podem ser ignorados: desigualdade social, corrupção, compra de votos, uso indevido de recursos públicos e disseminação deliberada de mentiras — as chamadas fake news.

O documento também alerta contra “o abuso do poder econômico e político e as formas de violência que ameaçam a convivência social, enfraquecendo a confiança nas instituições democráticas”.

Para a CNBB, não há democracia sólida quando a divergência política se transforma em hostilidade permanente: “o adversário político não pode ser tratado como inimigo”.

A mensagem é explícita ao defender o respeito à Constituição Federal, à interdependência dos Poderes, à liberdade de expressão responsável e à participação cidadã. Os bispos cobram ainda “confiança nos mecanismos legítimos de apuração da vontade popular, respeito aos resultados das urnas e à Lei da Ficha Limpa”.

Encerrando o documento com tom pastoral, a CNBB afirma que “a esperança cristã não é ingenuidade nem otimismo superficial” e convoca todos os “homens e mulheres de boa vontade” a serem “promotores da paz social e construtores da fraternidade”.

O texto foi assinado pelo presidente da CNBB, Dom Jaime Cardeal Spengler, arcebispo de Porto Alegre, junto ao 1º vice-presidente Dom João Justino de Medeiros da Silva, arcebispo de Goiânia; ao 2º vice-presidente Dom Paulo Jackson Nóbrega de Sousa, arcebispo de Olinda e Recife; e ao secretário-geral Dom Ricardo Hoepers, bispo auxiliar de Brasília.

 

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